Nos últimos 30 anos aprendemos mais sobre o Sistema Solar do que sobre a maioria das outras áreas da astronomia. Isto se deve não apenas à melhoria dos detectores e telescópios atualmente existentes nos observatórios terrestres mas, principalmente, às várias sondas espaciais que cruzaram o Sistema Solar fotografando e realizando experiências científicas ao longo das últimas décadas.
Uma grande série de lançamentos espaciais permitiu que os astrônomos conhecessem cada vez mais detalhes sobre a estrutura dos nossos vizinhos do Sistema Solar. Algumas sondas penetraram nas atmosferas de Vênus, de Marte e de Júpiter. Outras pousaram nas superfícies de Vênus, de Marte, da Lua e do asteróide Eros. Algumas missões colheram material da Lua e do cometa P/Wild2 para posteriores análises em laboratórios.
Até agora sondas espaciais visitaram todos os planetas, com a única exceção de Plutão. Além disso, vários sistemas de satélites e de anéis foram descobertos e estudados por essas sondas, assim como alguns asteróides e cometas.
Na verdade, todas essas missões espaciais foram automáticas pois, como sabemos, o ser humano, por enquanto, caminhou apenas na superfície da Lua. Ao mesmo tempo em que essas sondas eram lançadas, uma série de missões espaciais tripuladas foi realizada pelos Estados Unidos, as missões espaciais Apollo. Essa seqüência de lançamentos culminou com o extraordinário feito de, pela primeira vez, um ser humano, o astronauta norte-americano Neil A. Armstrong, ser levado até um outro corpo celeste, a Lua, no dia 20 de julho de 1969.
Novas missões espaciais estão sendo desenvolvidas para complementar e melhorar nosso conhecimento sobre os objetos do Sistema Solar. Uma coisa, no entanto, é certa: o que sabemos hoje em dia sobre o nosso sistema planetário é muito diferente do que sabíamos há menos de 50 anos. O conjunto de conhecimentos adquiridos a partir dessas missões mudou totalmente a visão que tinhamos sobre o Sistema Solar. As perguntas que hoje fazemos sobre a origem, a formação e a evolução do Sistema Solar como um todo são bastante diferentes daquelas que elaboravamos há algum tempo. Um exemplo muito simples é a questão dos anéis planetários. Até 1978 dizíamos que Saturno era o único planeta que tinha anéis. A pergunta que nos fazíamos era: porque apenas Saturno tem anéis? Hoje, 26 anos depois, sabemos que todos os planetas gigantes possuem anéis e passamos a nos perguntar sobre quais os processos físicos que determinaram essa característica.
É importante destacar que estas duas perguntas são intrinsecamente muito distintas já que na primeira estamos buscando um processo físico que diferencia um único objeto dentro de um conjunto. Na segunda, estamos procurando um processo comum neste mesmo conjunto e o estudo da natureza nos diz que o "comum" é mais aceitável do que a "exceção", embora nunca possamos excluir, a princípio, esta última possibilidade!
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